| the place. |
[Feb. 11th, 2007|11:52 am] |
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Coloco mais uma vez aquela roupa que peno para escolher naquele fim de tarde de verão, é acho que vou sair de novo, estou cansada, mas foda-se, tenho que livrar desse ar de casa e respirar um pouco do ar urbano. Vou vestida da forma mais chamativa possível, hoje esse vai ser meu novo personagem, penso, satisfeita. O calor domina meus sentidos, a irritação sobe pelas minhas ventas e cada vez mais olho para o mundo com mais desprezo que o habitual. Entro no carro, fico admirando as minhas sapatilhas douradas feliz como uma criança de 5 anos, e puta da vida, não sei que roupa vou vestir na segunda. Vou dar carona pra ela hoje, dou dois beijinhos, faço minha gracinha habitual que já encheu o saco, e rio que nem uma palerma que insisto em fazer o papel. Penso que a roupa que vesti hoje está perfeitamente combinando comigo e meu humor pateta. No shopping tudo é a mesma coisa, a mesma rotina ensaida de sempre, dois beijinhos, aperta a bunda de um, finge de bêbado para o outro, nossa que lindo seu all star, ai nossa como eu odeio emo, mas então a suruba tá marcada, ah! alô mãe? é, to sim, é to em uma festa, é, é, eu to bem, te amo, tchau. Ofuscada pelo o brilho da luz daquelas lojas e o cheiro de cigarro e alcool, corro seguindo meu grupinho, a gente vai para o The Place. É, eu achava muito cool quando alguém mencionava esse nome tempos atrás. O que esse lugar? A primeira explicação que eu tive é que era um um lugar muito cool onde pessoas alternativas se encontravam. Óbvio que naquela época meus olhos brilharam de felicidade, para mim aquilo era apenas um pilar que eu tinha que conquistar para minha realização pessoal. Me entreguei totalmente aquele lugar, que não passava de uma saída de shopping onde pessoas vestem roupas, mochilas e broches tentando se afirmar mostrando para o amiguinho que podia ser pop lá naquele universinho que insistem chamar de underground onde os seguranças do shopping ficam desesperados porque o emprego deles está em jogo, mas uma criança fica em coma alcóolico, e as pessoas que passam para ir ao estacionamento, riem, ah! como é engraçada a juventude. É claro, eu adorei essa ideia. Ficou muito mais fácil ter uma vida social. É só encher a cara no carrefour fingir que trepa com todo mundo e simular sexo com qualquer pessoa, gritar, fumar, e falar gírias gays que o mundo inteiro te ama. Foda-se o resto do mundo, o meu mundinho medíocre se limita a isso. A ser poderosa e conquistar uma porcaria de saída de shopping. E pensar que antes de uma saída de shopping era uma criança totalmente pura, não conhecia nada, não conhecia o que era degradação ao extremo, tudo o que eu passei era pouco comparado a isso. O que eu mais desprezo, mais me fascina. Cada vez que me sinto mais sufocada, o ar limpa. |
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